O vendedor que fazia chover
Quanto mais estudo sobre vendas mais vejo que a maioria das pessoas que atua na área não tem a menor idéia do que está fazendo.
Por razões que ainda busco compreender, a maioria das pessoas acaba caindo na profissão de vendas simplesmente porque não encontrou mais nada para fazer, emprestando à profissão uma imagem negativa, pejorativa, de pessoas que ficam tentando empurrar produtos dos quais ninguém precisa, constantemente incomodando os outros ou sendo inconveniente.
Na tentativa de conferir um pouco mais de glamour à ocupação criou-se o termo “consultor de vendas” que de nada adiantou. É o mesmo que tentar melhorar a aparência de um porco passando batom nele: continua sendo um porco.

Dentre os diversos livros sobre vendas que venho estudando um deles contribuiu bastante para melhorar minha compreensão sobre o assunto – “Rainmaking conversations: influence, persuade and sell in any situation” dos autores Mike Schultz e John Doerr.
Abaixo compartilho algumas das principais idéias e melhores trechos do livro.
De acordo com os autores, uma das grandes dificuldades no processo de vendas é ajudar o possível cliente a entender exatamente o que ele está comprando de você. A maioria das pessoas que trabalha em vendas pensa que seu trabalho é simplesmente falar, falar e falar. Falam incessantemente na esperança de que isso faça com que o cliente compre. As pessoas precisam de uma razão para que se sintam bem consigo mesmas, e também perante os outros, ao comprar algo. Cabe ao vendedor fornecer essa razão ao cliente, para que ele próprio compreenda a razão pela qual deve comprar.
Outra grande dificuldade também é criar uma proposta de valor que realmente faça sentido para o comprador. Para os autores, uma proposta bem estruturada baseia-se em três pontos: estar alinhada com a percepção do cliente (no texto original é usado o termo “resonate”), ser diferenciada e possuir credibilidade.
Se a proposta não estiver alinhada com a percepção do cliente será impossível fazer com que ele enxergue a necessidade de comprar algo pois a proposta simplesmente não fará sentido para ele (não preciso, não é necessário).
Na falta de diferenciação a conversa rapidamente vai se voltar para a questão do preço. Se o seu produto/serviço é igual ao dos concorrentes (não possui diferenciação) o consumidor sempre questionará o valor, levando o vendedor a participar de um leilão.
Ainda relativo à proposta de valor, é necessário prestar credibilidade à proposta. O produto/serviço pode ser adequado à necessidade do consumidor, assim como possuir diferenciais suficientes, mas será que você realmente conseguirá entregar aquilo que promete? Aos olhos do consumidor, você possui experiência, recursos, qualificação, e tudo aquilo mais necessário para cumprir o acordado?
Por fim, outro grande erro cometido na área de vendas é a falta de planejamento por parte dos profissionais. A maioria dos vendedores não se dá ao trabalho de definir claramente seus objetivos, processos, rotinas, etc; participam de reuniões de vendas sem a menor preparação, falando um pouco disso e um pouco daquilo, sem o menor critério, apenas para ver se algo surge do nada.
Para evitar esse tipo de erro os autores fornecem alguns questionamentos que podem auxiliar o processo de vendas, são eles:
- Situação atual do cliente: o que meu cliente faz? qual é seu mercado? quais problemas meu cliente está tentando resolver? o que está acontecendo em seu mercado? quais são suas preocupações atuais? o que seus concorrentes estão fazendo?
- Motivo da visita: qual a razão da minha visita? criar relacionamento? levantar informações sobre as necessidades? analisar o resultado que meu produto trouxe para o cliente? aumentar minhas vendas para esse cliente? conseguir uma referência para descobrir novos clientes? vencer uma concorrência?
- Objetivos da visita: o que espero conseguir ao final da reunião? conseguir abertura para enviar uma proposta? assinar um contrato? recuperar credibilidade após algum problema ocorrido?
- Pontos fortes e fracos: o que posso oferecer como diferencial? que informações devo entregar ao cliente para criar mais credibilidade? quais pontos fracos devo estar preparado para defender? como posso tirar maior proveito de possíveis deficiências?
Se você se interessou pelo livro acesse o site dos autores e faça o download do primeiro capítulo gratuitamente. Clique aqui
Em seu segundo livro, The thank you economy, Gary Vaynerchuk (fundador da Wine Library TV, Daily Grape e Vayner Media) fala um pouco sobre como o aspecto social da internet vem alterando a dinâmica da relação empresa/consumidor.
O site da revista Forbes publicou recentemente um artigo muito interessante entitulado “We must stop being recognition addicts in the workplace” (Precisamos deixar de ser viciados em reconhecimento no trabalho) sobre o qual comento aqui.
*o texto abaixo foi baseado no livro “The new managerial grid” (Robert Blake/Jane Mouton)
Existe pouca relação – para não dizer quase nenhuma – entre conhecimento sobre gestão e o desempenho de uma organização. Em se tratando de gestão a qualidade, forma ou freqüência daquilo que se ensina raramente é capaz de causar alguma mudança significativa na empresa. Essas são as premissas iniciais do livro “The knowing-doing gap” da dupla Pfeffer e Sutton (sem edição no Brasil).

Acredito firmemente que, assim como os seres humanos, as empresas possuem períodos ao longo de sua vida nos quais precisam obrigatoriamente desenvolver certas habilidades sob o risco de se tornarem disfuncionais no futuro caso não o façam.